Racismo, endorracismo y resistência (Parte I)

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Quando falamos de racismo com frequência nos deparamos com a afirmação de que, em nosso país, não existe racismo, que graças ao proceso de mestiçagem o racismo é coisa do pasado, fenómeno ao qual só podemos ter contato por meio da história no período colonial. No entanto, na Venezuela não somente existe racismo, mas também persiste em nosso imaginário coletivo e em nossas práticas cotidianas estereotipos e formas de discriminação como o sexismo, o classismo, a homofobia, a xenofobia, a discriminação das pessoas com necessidades especiais, entre outras.

 

Em algum momento de nossas vidas com independencia de nossas experiências concretas, estilos de vida, nível educacional, herança étnica, preferencia sexo-afectiva ou clase social temos sido o nos sentido discriminados, e estas formas de discriminação vão exacerbar-se na medida em que são identificadas e interceptadas.

 

É por essa razão que surge a necessidade deste texto, em primeiro lugar como um exercício próprio de questionamento e busca de respostas a um fenómeno social que pessoalmente me afeta, além de ter incidencia nas relações sociais e formas de organização social de todo o país.

 

É nesse contexto que surgem grandes perguntas e as quais este texto tenta responder. Em primeiro lugar o que é o racismo¿ A respeito é ncessário dar visibilidade que o prejuízo do racismo – assim como outros mencionados – é uma construção social, uma ideología, um conjunto de idéias distorcidas da realidade, compostas de pressupostos desqualificadores, degradantes e subordinantes dos individuos. Neste caso, por seu pertencimento étnicorracial suas formas fenotípicas, a cor da pele e que se apóia para se manter e reproducir-se nos diferentes agentes socializadores como são a familia, a religião, a escola, os meios de comunicação e difusão, entre outros.

 

Ainda que na América Latina e, específicamente, na Venezuela, não tenham ocorrido experiências como a segregação experimentada nos Estados Unidos ou o apartheid sul-africano, o racismo em nossa região e um racismo cordial, que acontece de forma camuflada, um micorracismo, cotidiano, que é possível identificar, grosso modo:

 

– por uma linguagem discriminatória, a associação do negro com o mal, com o negativo, gato negro, dinheiro negro, humor negro, vermes negros, magia negra; mas também por meio de expressões coloquiais como “me enegreceram”, “trabalhar como um negro”, “comida de negros”, ou a tão usada “negro que não é pretensioso não é negro”.

 

– a representação por meio de estereotipos, onde os afrodescendentes nos meios de comunicação são apresentados como primitivos, deliquentes e pessoal de serviço, ignorando também realizações e sucessos desta população.

 

– mediante o estabelecimento de uma comunidade racialmente homogénea, o evitar-se vínculo sexual e afectivo com pessoas pertencentes a um grupo racial estigmatizado e depreciado, quer dizer “melhorar a raça”;

 

– o tratamento diferenciado, onde qualquer que não pertença a um grupo racialmente estigmatizado será mais respeitado, valorizado e privilegiado;

 

– a sexualização das mulheres e homens afrodescendentes considerados de inesgotável apetite sexual;

 

– a estigmatização estética do negro, a consideração de que o negro não é belo ao não se enquadrar nos padrões de beleza impostos.

 

Esther Pineda G

*Tradução Dojival Vieira

Publicado en Afropress, Agencia de Información Multiétnica. Brasil, 2015.